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Energia Solar Explicada
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guias 13 min de leitura

Energia solar por assinatura: como funciona a geração compartilhada, quanto economiza de verdade e 5 cláusulas pra ler antes de assinar

Energia solar por assinatura em 2026: economia real de 10-20% na conta, como funciona a geração compartilhada, empresas no Brasil e checklist do contrato.

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Equipe Editorial

Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe

Família brasileira em sala de apartamento conferindo conta de luz no celular com janela mostrando edifícios e céu azul
Economia de 10% a 20% na conta sem tocar no telhado — a conta fecha pra quem mora de aluguel ou em apartamento

Se você mora de aluguel, em apartamento ou numa casa com telhado cheio de sombra, energia solar por assinatura economiza entre 10% e 20% na conta de luz sem instalar nada, sem investimento e sem compromisso com equipamentos. Numa conta de R$ 400, são R$ 40 a R$ 80 por mês. A comparação justa não é com quem tem R$ 20 mil pra painéis no telhado — é com continuar pagando tarifa cheia pra distribuidora enquanto ela sobe 7% ao ano.

O modelo cresceu rápido no Brasil. Eram 1.900 usinas nessa modalidade em 2021; em 2023, já passavam de 6.600 (ABSOLAR). A Cemig SIM sozinha investiu R$ 280 milhões e atende mais de 7 mil clientes. Mas junto com o crescimento vieram empresas sem estrutura, contratos opacos e consumidores no Reclame Aqui reclamando de cobranças indevidas e cancelamentos que não saem. A diferença entre economizar e levar prejuízo está nas cláusulas do contrato.

O mecanismo por trás da assinatura

O nome comercial é “energia solar por assinatura”. O nome técnico, registrado na ANEEL e regulado pela Resolução Normativa 1.059/2023 e pela Lei 14.300/2022, é geração compartilhada — uma modalidade de geração distribuída onde vários consumidores dividem os créditos de energia de uma mesma usina solar.

Funciona assim: uma empresa constrói uma usina solar de médio porte (geralmente entre 1 e 5 MW) numa região com boa irradiação. A energia gerada é injetada na rede da distribuidora e se transforma em créditos de energia. Esses créditos são distribuídos proporcionalmente entre os assinantes, cada um recebendo uma cota. Quando a distribuidora calcula sua fatura, abate os créditos recebidos do seu consumo. O que sobra aparece como saldo positivo e vale por 60 meses.

Você não recebe eletricidade da usina. A energia que chega na sua tomada vem da rede local, como sempre. O que muda é a fatura: os créditos da usina remota abatem o valor que você pagaria. É um acerto contábil, não uma transferência física de elétrons.

A empresa cobra uma mensalidade ou um percentual dos créditos gerados. A maioria trabalha com 80% a 90% do valor dos créditos. Se a usina gera R$ 250 em créditos pra sua cota e a empresa cobra 85%, você paga R$ 212,50 pra empresa mais o custo de disponibilidade pra distribuidora (R$ 19,35 em ligação monofásica pela Enel SP). Total: R$ 231,85. Sem a assinatura, pagaria R$ 300 de conta. Economia: R$ 68,15, ou 23%.

Na prática, o desconto real fica menor. A usina nem sempre gera exatamente o previsto (dias nublados, manutenção), e o Fio B de 60% em 2026 incide sobre os créditos compensados — mesma regra de quem tem sistema próprio. Com essas variáveis, a economia líquida oscila entre 10% e 20%.

A conta real: quanto se economiza em reais

Vamos pegar uma conta de R$ 400/mês em São Paulo (Enel SP, tarifa de R$ 0,645/kWh, ANEEL 2025). Consumo de uns 620 kWh.

Se a empresa de assinatura cobra 80% dos créditos (desconto de 20%), a conta mensal fica assim: R$ 19,35 de custo de disponibilidade pra distribuidora, mais R$ 304 pra empresa solar (80% de R$ 380 em créditos), mais uns R$ 20 de Fio B residual. Total: R$ 343. Economia: R$ 57 por mês, ou 14%.

Numa conta de R$ 600 (consumo de ~930 kWh, perfil de família com ar-condicionado), a economia sobe pra R$ 85/mês com o mesmo percentual de desconto. Em 12 meses, são R$ 1.020 sem ter investido um centavo.

Comparação da economia mensal com energia solar por assinatura para contas de R$ 200, R$ 400 e R$ 600, mostrando economia de R$ 28 a R$ 85 por mês
Economia cresce com o tamanho da conta: R$ 28/mês em contas de R$ 200 e R$ 85/mês em contas de R$ 600, considerando desconto de 14% líquido (dados fev/2026)

Agora a comparação dura. Quem instala um sistema próprio de 5 kWp por R$ 20 mil em São Paulo economiza R$ 275/mês líquidos — quase 5 vezes mais. E a economia cresce com o reajuste tarifário: em 10 anos, passa de R$ 530/mês. A assinatura acompanha o reajuste? Depende do contrato. Algumas empresas reajustam o percentual cobrado pelo IGPM ou IPCA, mantendo o desconto constante. Outras travam o desconto nominal — e aí a vantagem derrete com a inflação energética.

A tabela mostra o cenário realista:

Comparação de economia entre energia solar por assinatura e sistema próprio para conta de R$ 400 em São Paulo
Modalidade Investimento Economia/mês (ano 1) Economia em 10 anos Economia em 25 anos
Assinatura (14% líquido) R$ 0 R$ 57 ~R$ 9.200 ~R$ 33.000
Sistema próprio (5 kWp) R$ 20.000 R$ 275 ~R$ 46.000 ~R$ 127.000
Sem solar R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0

A assinatura perde de lavada do sistema próprio. Mas ganha disparado de “não fazer nada”. R$ 33 mil de economia em 25 anos sem investir nenhum real é dinheiro real no bolso de quem não pode instalar painéis.

Quem opera no Brasil

O mercado de energia solar por assinatura no Brasil tem uns 20 operadores relevantes. Vou citar os maiores por capacidade instalada e base de clientes, sem recomendar nenhum.

A Cemig SIM é a maior operação do país. Subsidiária da Cemig (estatal mineira), opera 23 usinas solares com 300 MWp de capacidade instalada, atende mais de 7 mil clientes e projeta investir R$ 3,5 bilhões até 2029 pra atingir 1 GWp (Cemig, 2025). Começou em Minas Gerais e está expandindo pro Sudeste e Centro-Oeste. Vantagem: lastro de estatal. Limitação: atende na área de concessão da Cemig e parceiros.

A EDP Smart (subsidiária da EDP, multinacional portuguesa) oferece assinatura 100% digital, sem instalação, pra residências e empresas. Opera na área da EDP São Paulo (região do Vale do Paraíba e Guarulhos). Promete até 20% de economia.

A Sun Mobi é uma energytech que opera na área da CPFL Piratininga (27 cidades do interior de SP). Fez parceria com a GreenYellow (francesa) pra inaugurar usinas em São Paulo. Fundada em 2016, tem 300 clientes hoje, foco em comércio e gastronomia.

A Lemon Energia trabalha com modelo de marketplace: conecta usinas já existentes a consumidores. A economia anunciada é de 20% a 25%. Opera em várias distribuidoras, o que amplia a cobertura geográfica.

A Solfacil Smart é o braço de assinatura da Solfacil (fintech que já financiou R$ 6,5 bilhões em projetos solares). Lançou o modelo de assinatura pra complementar o financiamento, atendendo a Grande São Paulo via parcerias com integradores.

Além desses, cooperativas de energia solar operam nesse modelo no Sul e Sudeste, e startups regionais como Bulbe (MG), Enova, Sunne e Elegy atendem nichos específicos.

Atenção: várias startups que entraram entre 2021 e 2023 foram absorvidas ou fecharam. O mercado está em consolidação. Priorize empresas com pelo menos 2 anos de operação e usinas já funcionando — não “em construção”.

5 cláusulas do contrato que definem se compensa

O desconto de 15% na propaganda pode virar 8% na prática se o contrato tiver armadilhas. Antes de assinar, leia estas 5 cláusulas com lupa.

1. Percentual cobrado sobre os créditos (e se é fixo ou variável). A empresa cobra 80% dos créditos? 85%? 90%? A diferença entre 80% e 90% é a diferença entre economizar 20% e economizar 10%. Atenção ao “até” — “economia de até 20%” permite que a empresa entregue 5% e esteja tecnicamente cumprindo o contrato.

2. Índice de reajuste da mensalidade. Se a empresa reajusta pelo IGPM (que subiu 14,4% em 2021, IBGE) e a tarifa sobe 7%, seu desconto encolhe todo ano. O melhor cenário: reajuste atrelado à própria tarifa da distribuidora. O pior: IGPM ou “a critério da empresa”.

3. Prazo mínimo e multa por cancelamento. Contratos de 12 meses com multa de 3 parcelas são razoáveis. Contratos de 36 meses com multa proporcional ao restante são algemas. Alguns contratos empresariais cobram o equivalente a todo o período remanescente — em 36 meses, sair no mês 6 significa pagar 30 meses de multa.

4. O que acontece se a usina gerar menos que o prometido. Meses nublados, manutenção da usina, curtailment da distribuidora — tudo isso reduz a geração. A empresa abate o valor da sua assinatura proporcionalmente? Ou cobra o mesmo independente da geração? Essa cláusula define o risco: se a empresa cobra fixo e a usina gera menos, você paga pela energia que não recebeu.

5. Cláusula de mudança de endereço. Quem mora de aluguel precisa verificar: se mudar pra outro endereço na mesma distribuidora, o contrato migra? Cobra taxa de transferência? E se mudar pra outra distribuidora (Ex: sair da Enel SP pra CPFL)? Na maioria dos casos, mudança entre distribuidoras cancela o contrato — porque os créditos só funcionam dentro da mesma concessionária.

Os riscos que o vendedor não menciona

A empresa pode fechar. Se a empresa quebrar, seus créditos param. Os contratos de locação ou arrendamento da usina podem ser transferidos, mas na prática o processo é demorado e os créditos ficam congelados até resolução. No Reclame Aqui, há reclamações de consumidores que continuaram recebendo cobranças mesmo após solicitar cancelamento — em alguns casos com assinatura eletrônica feita sem consentimento.

Créditos podem ser insuficientes. A usina pode gerar abaixo do projetado por falha técnica, problemas de conexão com a distribuidora ou excesso de assinantes na mesma cota. O resultado: você paga a mensalidade da assinatura E parte da conta da distribuidora. A conta total pode ficar maior do que sem a assinatura.

A ativação demora. Após assinar o contrato, a ativação dos créditos depende de homologação junto à distribuidora. O prazo varia de 30 a 90 dias. Durante esse período, você pode estar pagando a assinatura sem receber créditos — dependendo da cláusula de início de cobrança.

A regulação está em movimento. A Lei 14.300/2022 e a Resolução 1.059/2023 da ANEEL são o marco atual. Mas a MP 1.300/2025 e a Lei 15.269/2025 mexeram em pontos da geração distribuída, e há projetos no Congresso que podem alterar regras de compensação. Risco baixo de mudança drástica, mas existe.

Um filtro simples que elimina 80% dos problemas: verifique se a empresa tem usinas registradas como geração distribuída no banco de dados aberto da ANEEL (dadosabertos.aneel.gov.br). Se não aparecer, fuja.

Checklist visual com 5 itens para verificar antes de assinar contrato de energia solar por assinatura: percentual, reajuste, prazo, geração mínima e mudança
Verifique esses 5 pontos antes de assinar qualquer contrato — a diferença entre economia real e prejuízo está nas cláusulas

Assinatura vs sistema próprio vs mercado livre

A energia solar por assinatura não é a única alternativa pra quem quer pagar menos na conta de luz. O sistema próprio (painéis no telhado) e o mercado livre de energia são caminhos diferentes com perfis diferentes.

Assinatura (geração compartilhada): investimento zero, economia de 10-20%, contrato mensal ou anual, disponível pra qualquer consumidor residencial ou comercial na área da distribuidora da usina. Regulado pela ANEEL como GD. A energia não é “sua” — são créditos contábeis de uma usina alheia.

Sistema próprio (GD no telhado): investimento de R$ 15 mil a R$ 25 mil, economia de 80-90% (R$ 275/mês num sistema de 5 kWp em SP), payback de 4 a 6 anos, retorno de R$ 127 mil em 25 anos. Exige telhado adequado e capital ou financiamento. Se você tem as condições, compensa muito mais do que assinatura.

Mercado livre de energia: desde 2024, consumidores conectados em média e alta tensão (demanda acima de 500 kW) podem migrar. Economia de 20% a 35% com contrato de compra junto a comercializadoras. Consumidores residenciais em baixa tensão só poderão acessar a partir de janeiro de 2028 (Lei 15.269/2025, ABRACEEL). Até lá, não é opção pra quem mora em casa ou apartamento comum.

A assinatura ocupa um espaço específico: é a alternativa acessível pra quem não pode instalar painéis (apartamento, aluguel, telhado inadequado) e não se qualifica pro mercado livre. Se o telhado permite e você tem R$ 20 mil ou acesso a financiamento, sistema próprio ganha em todas as métricas. Se não tem, a assinatura é a melhor opção disponível até o mercado livre abrir pra baixa tensão em 2028.

Pra quem a assinatura faz sentido (e pra quem não faz)

Faz sentido pra quem mora em apartamento sem cobertura. São 37 milhões de brasileiros em apartamentos (IBGE, Censo 2022). A maioria não tem acesso ao telhado do prédio — e mesmo em coberturas, a assembleia condominial pode barrar a instalação de painéis. Assinatura é a única forma desse público acessar energia solar.

Faz sentido pra quem mora de aluguel. Não adianta investir R$ 20 mil em painéis que ficam no imóvel do proprietário. Contratos de assinatura de 12 meses casam com o ciclo de locação. Mas confirme que a conta está no seu nome — os créditos são vinculados ao CPF do titular da fatura.

Faz sentido pra quem tem telhado inadequado: sombra pesada, fibrocimento com amianto, orientação sul, ou estrutura que não suporta os 22 kg/m² dos painéis.

Faz sentido como teste antes de investir num sistema próprio. Um ano de assinatura mostra na prática como funciona a compensação de créditos de energia, o efeito do Fio B e quanto a economia representa no orçamento. Depois, decide com informação se vale gastar R$ 20 mil.

Não faz sentido pra quem tem telhado bom, capital ou acesso a financiamento. A diferença é gritante: R$ 33 mil de economia em 25 anos com assinatura contra R$ 127 mil com sistema próprio. Não faz sentido pagar 10-20% menos na conta quando dá pra pagar 80-90% menos.

E não faz sentido em áreas onde a distribuidora tem atrasos crônicos na compensação de créditos. No Norte do Brasil, há relatos de distribuidoras que levam 3 a 4 meses pra processar créditos de geração compartilhada. Se os créditos atrasam, a economia atrasa junto.

Se decidir assinar, o processo é 100% digital na maioria das empresas. Verifique que a usina está na mesma distribuidora que abastece seu imóvel (primeira página da conta de luz). Pesquise a empresa no Reclame Aqui e confirme o CNPJ no banco de dados aberto da ANEEL. Peça o contrato completo, leia as 5 cláusulas acima. Após assinar, a ativação leva de 30 a 90 dias — a distribuidora precisa registrar que sua unidade consumidora faz parte da geração distribuída. Na primeira fatura com créditos, confira se o abatimento confere com o prometido.

Perguntas frequentes

A energia solar por assinatura é confiável? Depende da empresa. O modelo em si é regulado pela ANEEL (Lei 14.300/2022, RN 1.059/2023) e funciona dentro do sistema de compensação de energia elétrica. O risco está na empresa, não no modelo. Verifique CNPJ na ANEEL, leia contrato completo e pesquise Reclame Aqui. Empresas com usinas operando há mais de 2 anos e lastro de estatal ou grande grupo (Cemig SIM, EDP) têm risco menor.

Precisa instalar alguma coisa na minha casa? Nada. A usina solar fica em outro local. Você só precisa ter conta de luz ativa na mesma distribuidora. Os créditos são aplicados automaticamente na sua fatura.

O que acontece se eu me mudar? Se mudar pra outro endereço na mesma distribuidora, a maioria dos contratos permite transferência (alguns cobram taxa). Se mudar pra outra distribuidora, o contrato geralmente é cancelado — créditos de energia são intransferíveis entre concessionárias.

A economia é menor que a de um sistema próprio? Sim, muito menor. Assinatura economiza 10-20%. Sistema próprio economiza 80-90%. A assinatura existe pra quem não pode instalar painéis. Se tem telhado e capital, vá de sistema próprio. A calculadora de payback mostra em quantos anos o investimento volta.

Posso assinar morando de aluguel? Pode, desde que a conta de luz esteja no seu nome. Os créditos são vinculados ao CPF do titular da fatura, não ao endereço do imóvel. Se mudar, solicita a transferência.

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