Quanto custa energia solar pra casa: preços reais por tamanho de sistema, o que está incluso e em quantos anos se paga
Preços atualizados de energia solar residencial em 2026: de R$ 15 mil (3 kWp) a R$ 52 mil (15 kWp). Veja payback, financiamento e o que influencia o custo.
Equipe Editorial
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Um sistema solar residencial de 5 kWp — o tamanho mais comum no Brasil — custa entre R$ 17 mil e R$ 22 mil instalado em fevereiro de 2026. O preço por kWp instalado gira em torno de R$ 3.500, incluindo painéis, inversor, estrutura de fixação, cabos, mão de obra e homologação na distribuidora. Com a tarifa média de R$ 0,65/kWh em São Paulo (Enel SP, ANEEL 2025) e reajustes projetados de 7% ao ano pela ANEEL, esse sistema se paga em 4 a 5 anos e gera economia por mais 20.
Esses números consideram o Fio B de 60% em 2026, conforme a Lei 14.300/2022. Sem maquiar a conta.
O que está incluso no preço de um sistema solar
Quando um integrador te passa um orçamento de R$ 20 mil por um sistema de 5 kWp, esse valor não é só “as placas”. O preço cobre tudo que você precisa pra gerar energia e abater da conta de luz. Equipamentos representam de 60% a 70% do custo total, e serviços ficam com os outros 30% a 40% (Canal Solar, 2025).
Os painéis fotovoltaicos respondem por 25% a 35% do valor. Um módulo de 550W de marcas como Canadian Solar, Jinko ou Trina custa entre R$ 700 e R$ 1.100 no varejo em 2025. Pra um sistema de 5 kWp, são 9 a 10 painéis.
O inversor solar é o item mais caro proporcionalmente — chega a 30% a 40% do total. É ele que transforma a corrente contínua dos painéis em corrente alternada pra sua casa. Marcas como Growatt, Deye e WEG dominam o mercado residencial brasileiro, com garantia de 10 anos.
Depois vêm a estrutura de fixação no telhado (trilhos e grampos de alumínio), string box (proteção elétrica), cabos e conectores. E na parte de serviços: projeto elétrico, instalação com equipe técnica e a homologação junto à distribuidora — o processo burocrático pra trocar o medidor e começar a compensar créditos de energia.
Pra quem quer entender exatamente o que é cada componente, o glossário de inversor solar explica a diferença entre string, microinversor e híbrido.
Quanto custa por tamanho de sistema
O preço muda bastante conforme a potência. Sistemas maiores custam mais em valor absoluto, mas o custo por kWp cai — é ganho de escala. Um sistema de 3 kWp sai por volta de R$ 5.000/kWp, enquanto um de 15 kWp fica na faixa de R$ 3.500/kWp.
| Potência | Painéis (550W) | Preço instalado | R$/kWp | Conta mensal típica |
|---|---|---|---|---|
| 3 kWp | 5-6 | R$ 13.000 - R$ 17.000 | ~R$ 5.000 | R$ 200 - R$ 300 |
| 5 kWp | 9-10 | R$ 17.000 - R$ 22.000 | ~R$ 3.900 | R$ 300 - R$ 450 |
| 8 kWp | 14-15 | R$ 26.000 - R$ 33.000 | ~R$ 3.700 | R$ 500 - R$ 700 |
| 10 kWp | 18-19 | R$ 30.000 - R$ 40.000 | ~R$ 3.500 | R$ 700 - R$ 900 |
| 15 kWp | 27-28 | R$ 42.000 - R$ 55.000 | ~R$ 3.200 | R$ 1.000+ |
Os preços são baseados em pesquisas Greener e Canal Solar (2025) com projeção para fevereiro de 2026. Variações regionais podem chegar a 20% — no Norte e Nordeste, o frete e a mão de obra especializada encarecem o projeto.
A métrica que importa na hora de comparar orçamentos é o R$/kWp instalado. Se um integrador te cobra R$ 25 mil por 5 kWp, isso dá R$ 5.000/kWp. Outro cobra R$ 22 mil pelo mesmo sistema: R$ 4.400/kWp. A diferença de R$ 3 mil pode não parecer muito, mas num investimento de 25 anos faz diferença no retorno. Quer saber qual tamanho de sistema sua casa precisa? Use a calculadora de dimensionamento — basta informar seu consumo mensal e sua cidade.
O que faz o preço variar
Dois orçamentos pro mesmo sistema de 5 kWp podem ter R$ 5 mil de diferença. Isso acontece por conta de cinco fatores principais.
Região e logística. Instalar em São Paulo capital é mais barato que em Manaus. Frete, disponibilidade de integradores e custo de mão de obra variam muito. No Nordeste, embora o sol seja mais forte (HSP de 5,8-6,0 em capitais como Natal e João Pessoa, segundo o CRESESB), a logística pode encarecer o kit.
Marca dos equipamentos. Painéis Canadian Solar, Jinko e Trina custam entre R$ 750 e R$ 1.000 a unidade de 550W. Já módulos bifaciais da DAH Solar ou modelos premium da LONGi com eficiência de 22,3% podem custar 15-20% a mais. No inversor, a diferença é parecida: um Growatt string de 5 kW custa menos que um SolarEdge com otimizadores de potência, mas ambos têm garantia de 10 anos.
Tipo de telhado. Cerâmica (o mais comum no Brasil) é a instalação mais simples. Laje exige estrutura elevada, que custa mais. Telhado metálico com inclinação acentuada ou fibrocimento com amianto (proibido pra novas construções) complicam e encarecem.
Complexidade da instalação. Padrão de entrada que precisa de upgrade, distância entre o telhado e o quadro de distribuição, sombreamento que exige microinversores em vez de string — tudo isso impacta. Um orçamento que parece barato pode não incluir adequação do padrão elétrico, o que custa de R$ 1.500 a R$ 3.000 por fora.
Homologação na distribuidora. O custo de homologação em si é pequeno (R$ 200-500 pra taxa de vistoria), mas o prazo varia de 30 a 90 dias dependendo da distribuidora. Enel SP costuma ser mais ágil que Equatorial no Norte. Enquanto a homologação não sai, o sistema gera mas não compensa créditos.
O sistema se paga? Payback em 2026
O payback é o tempo que leva pra economia na conta de luz igualar o investimento. No Brasil, fica entre 3 e 6 anos dependendo da tarifa local e do tamanho do sistema (Greener, 2025).
Vamos a um exemplo concreto. Uma casa em São Paulo com conta de R$ 400/mês (consumo de ~620 kWh, ligação monofásica, tarifa de R$ 0,645/kWh pela Enel SP). Pra zerar a conta, precisa de um sistema de aproximadamente 5,5 kWp.
Investimento: R$ 20 mil (5,5 kWp a R$ 3.600/kWp). Geração mensal: ~510 kWh (considerando HSP de 5,0 e eficiência de 78%, que inclui perdas por temperatura, sujeira, fiação e inversor). Economia mensal bruta: R$ 330 (510 kWh x R$ 0,645).
Só que em 2026 o Fio B come parte dessa economia. A Lei 14.300/2022 determina que 60% do componente de distribuição (TUSD) seja cobrado sobre a energia que você injeta na rede. Na prática, quem consome 30% da geração instantaneamente (autoconsumo) e injeta 70%, perde algo em torno de R$ 55/mês com o Fio B. Sobram uns R$ 275/mês de economia líquida, fora R$ 17/mês de manutenção (1% do investimento ao ano).
Com reajuste tarifário de 7% ao ano (projeção ANEEL pra 2026), a economia cresce anualmente enquanto o Fio B segue o cronograma até 90% em 2029. O payback fica em torno de 5 anos. Depois disso, são 20 anos de energia praticamente grátis — descontando a troca do inversor lá pelo ano 12-13, que custa uns 20% do sistema (R$ 4.000).
Pra quem mora em Belém, onde a Equatorial cobra R$ 0,938/kWh (a tarifa residencial mais cara do país, segundo a ANEEL), o payback cai pra menos de 3,5 anos. Já em Florianópolis, com Celesc a R$ 0,531/kWh e menor incidência solar (HSP 4,3), passa de 6 anos.
Opções de financiamento
Se não tem R$ 20 mil na mão, dá pra financiar. O mercado de crédito solar no Brasil é dominado por três players.
O Banco BV lidera com 47% do mercado de financiamento solar (dados BV, 2025). Taxa a partir de 1,17% ao mês, prazo de até 96 meses e carência de 120 dias pro primeiro pagamento. Num sistema de R$ 20 mil financiado em 72 meses, a parcela fica em torno de R$ 420/mês. Como a economia na conta de luz é de ~R$ 275/mês desde o primeiro mês, você tira do bolso uns R$ 145/mês nos primeiros anos. Depois do payback do financiamento, a economia é toda sua.
O Santander vem logo atrás com 25% de market share, taxas a partir de 1,11% a.m. (a menor entre os bancos comerciais) e condições parecidas: até 96 meses, carência de 120 dias.
A Solfacil é uma fintech que já financiou mais de R$ 5 bilhões em projetos solares no Brasil. O diferencial é a aprovação por biometria facial em 30 segundos, prazo de até 120 meses e carência de 6 meses. O CET varia de 1,17% a 1,4% a.m. nas parcelas pós-fixadas.
Pra quem está no Nordeste, o BNB tem o FNE Sol com taxas subsidiadas e limite de R$ 100 mil pra pessoa física — a opção mais barata do mercado, mas restrita à região.
Existe ainda a via do consórcio solar. Porto Seguro e Embracon oferecem cartas de crédito com taxas de administração de 19-20% ao longo de 120-180 meses, sem juros. O Sicredi tem uma opção mais agressiva pra cooperados: taxa total de 10% em 120 meses. O porém do consórcio é a espera pela contemplação — em média 24 meses sem sistema gerando, o que atrasa o retorno do investimento.
Perguntas frequentes
Quanto custa manter o sistema depois de instalado? A manutenção é simples: limpeza dos painéis 1-2 vezes por ano (ou quando a geração cair visivelmente) e inspeção elétrica anual. Custo estimado: 1% do investimento por ano, ou R$ 200/ano pra um sistema de R$ 20 mil. A troca do inversor lá pelo ano 12-13 é o maior gasto futuro — em torno de 20% do valor do sistema.
O preço dos painéis vai cair mais? A tendência é de queda. O preço caiu 60% entre 2022 e 2025 pro consumidor final no Brasil, puxado pela produção chinesa em escala (Canal Solar, 2025). A pesquisa Greener registrou queda de 7,5% só no primeiro semestre de 2025. Mas esperar demais tem custo: cada mês sem sistema é um mês pagando tarifa cheia — e a tarifa sobe 7% ao ano.
Sistema solar funciona em dia nublado? Gera menos, mas gera. Em dias nublados a produção cai pra 10-25% da capacidade. O cálculo de dimensionamento já considera isso na média anual de HSP (Horas de Sol Pleno) de cada região. Ninguém dimensiona sistema contando só com céu aberto.
Preciso trocar o telhado antes de instalar? Não necessariamente, mas se o telhado tem infiltração ou telhas quebradas, faz sentido resolver antes. Os painéis duram 25 anos com garantia de performance — você não vai querer desmontar tudo pra reforma daqui a 5 anos. A maioria dos integradores faz vistoria técnica do telhado antes de fechar o orçamento.
Posso instalar se moro em apartamento? Se tem cobertura com telhado próprio, sim. Apartamentos sem acesso ao telhado podem aderir a projetos de geração compartilhada (fazendas solares), mas o modelo é diferente e a economia menor — em torno de 10-15% da conta, não 90%.