Payback da energia solar em 2026: fórmula real, 5 cenários simulados e por que o ROI ganha do CDB em 25 anos
Calcule o payback real da energia solar com Fio B, degradação e reajuste tarifário. Simulações de 3 a 15 kWp mostram retorno de 4,2 a 6,3 anos em 2026.
Equipe Editorial
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Investimento dividido pela economia anual. Essa é a conta que todo mundo faz pra calcular o payback da energia solar — e está errada. Quem divide R$ 19.500 por R$ 4.000 de economia e acha que o retorno vem em 4,9 anos está ignorando pelo menos quatro variáveis que mudam o resultado: degradação dos painéis, Fio B progressivo, reajuste tarifário e custo de manutenção. A gente rodou a conta completa pra cinco tamanhos de sistema em São Paulo e o payback real ficou entre 4,2 e 6,3 anos em fevereiro de 2026.
A fórmula que funciona de verdade
O cálculo simplificado (investimento / economia) serve como estimativa grosseira. Pra decisão de R$ 15 mil a R$ 48 mil, grosseiro não basta. A fórmula correta precisa considerar ano a ano:
Economia no ano N = geração com degradação x tarifa com reajuste - custo do Fio B - manutenção
Cada componente varia com o tempo. A geração cai porque os painéis perdem eficiência (3% no primeiro ano por LID, depois 0,5% ao ano — vida útil de 25 anos com garantia de performance). A tarifa sobe — média histórica de 7% ao ano segundo a ANEEL. O Fio B aumenta conforme o cronograma da Lei 14.300/2022, que regulou a compensação de créditos na geração distribuída. E a manutenção é relativamente fixa: 1% do investimento por ano.
O payback acontece quando a economia acumulada iguala o investimento inicial. Na prática, o reajuste tarifário compensa parte das perdas com degradação e Fio B, fazendo a economia crescer ano após ano. Quem instala em 2026 vai economizar mais no ano 10 do que no ano 1.
5 cenários simulados em São Paulo
Usamos tarifa de R$ 0,645/kWh (Enel SP, ANEEL 2025), irradiação de 5,0 HSP (CRESESB), eficiência de 78% (perdas por temperatura, sujeira e inversor), ligação monofásica e todos os parâmetros do cronograma de Fio B.
| Sistema | Investimento | Geração/mês | Payback | ROI 25 anos | Economia total |
|---|---|---|---|---|---|
| 3 kWp | R$ 15.000 | 351 kWh | 6,3 anos | 700% | R$ 119.954 |
| 5 kWp | R$ 19.500 | 585 kWh | 5,1 anos | 932% | R$ 201.299 |
| 8 kWp | R$ 29.600 | 936 kWh | 4,8 anos | 990% | R$ 322.478 |
| 10 kWp | R$ 35.000 | 1.170 kWh | 4,6 anos | 1.053% | R$ 403.597 |
| 15 kWp | R$ 48.000 | 1.755 kWh | 4,2 anos | 1.164% | R$ 606.521 |
Sistemas maiores têm payback mais curto porque o custo por kWp cai com a escala: R$ 5.000/kWp no sistema de 3 kWp contra R$ 3.200/kWp no de 15 kWp (Greener, 2025). A economia total em 25 anos é cinco vezes o investimento no cenário mais conservador e doze vezes no mais agressivo.
Pra quem consome entre 300 e 500 kWh/mês — o perfil residencial mais comum no Brasil — o sistema de 5 kWp é o ponto ótimo. O dimensionamento correto é fundamental: sistema grande demais gera créditos que expiram, pequeno demais não elimina a conta. Investimento de R$ 19.500, payback de 5,1 anos, retorno de R$ 201 mil. Detalhamos os preços por tamanho no guia de quanto custa energia solar residencial.
O que acontece ano a ano
A tabela de economia do sistema de 5 kWp em SP mostra como o reajuste tarifário transforma o investimento com o tempo. No primeiro ano, a economia líquida é de R$ 3.518. No ano 10, sobe pra R$ 5.983. No ano 25, R$ 15.615.
No ano 5 a economia acumulada bate R$ 19.223 — praticamente empatada com o investimento de R$ 19.500. A partir do ano 6, o sistema já gerou mais do que custou. E o crescimento é exponencial: do ano 15 ao 25 a economia acumulada mais que dobra, de R$ 82 mil pra R$ 201 mil, porque o reajuste da tarifa a 7% ao ano se acumula.
Essa dinâmica é o que separa energia solar de um investimento comum. Quanto mais tempo passa, mais ela rende — exatamente o contrário de um ativo que se deprecia.
Cada variável isolada: o que pesa mais no payback
Quatro fatores determinam se o payback fica perto de 4 ou perto de 7 anos. Vamos isolar cada um.
Tarifa local é o fator dominante. Em Belém, onde a Equatorial cobra R$ 0,938/kWh (a tarifa residencial mais alta do país, ANEEL 2025), o payback de um sistema de 5 kWp é 3,6 anos. Em Florianópolis, com Celesc a R$ 0,531/kWh, sobe pra 6,9 anos. São 3,3 anos de diferença — mais do que qualquer outra variável. Quem mora numa cidade com tarifa acima de R$ 0,70/kWh tem retorno especialmente rápido.
Irradiação solar (HSP) é o segundo fator. Natal e João Pessoa têm 5,9-6,0 HSP (CRESESB), enquanto Florianópolis e Curitiba ficam em 4,3-4,5 HSP. Mais sol por metro quadrado significa mais kWh gerados por painel. Salvador combina tarifa de R$ 0,653 com HSP de 5,8 e entrega payback de 4,4 anos — rápido mesmo com tarifa moderada.
Fio B é o vilão mais comentado e o que menos pesa isoladamente. Sem Fio B nenhum, o payback de 5 kWp em SP seria 3,9 anos. Com o cronograma completo (60% em 2026, 90% a partir de 2029), fica em 5,1 anos. Diferença de 1,2 anos. Incomoda? Sim. Inviabiliza? Longe disso. O Fio B incide sobre a parcela TUSD da tarifa (uns 40% do total) e só sobre a energia injetada na rede — quem consome 30% da geração instantaneamente (autoconsumo) reduz a mordida.
Reajuste tarifário é o fator invisível que trabalha a favor do investidor. Se a tarifa subisse só 4% ao ano em vez de 7%, o payback de 5 kWp em SP saltaria de 5,1 pra 6,2 anos. Na direção contrária, reajustes de 10% (que já aconteceram em anos de crise hídrica) derrubariam o payback pra 4,3 anos. A projeção da ANEEL é de 5,4% de alta média em 2026 (TR Soluções), mas o histórico brasileiro inclui saltos bem maiores.
Solar vs renda fixa: R$ 19.500 investidos em 25 anos
A comparação que falta nas simulações dos integradores é contra a alternativa mais óbvia: botar o dinheiro em renda fixa. Vamos supor que em vez de instalar 5 kWp, você aplica R$ 19.500 e continua pagando conta de luz.
Com a Selic a 15% em fevereiro de 2026 (BACEN), um CDB a 100% do CDI parece tentador. Mas a Selic não fica em 15% por 25 anos — a Anbima projeta 12,5% ao fim de 2026, e a média histórica fica perto de 10% ao ano. Usando 10% como taxa média de longo prazo e descontando 15% de IR (prazo acima de 2 anos), o CDB entrega R$ 163 mil de rendimento líquido em 25 anos. A poupança, com seus ~6,5% ao ano isentos de IR, chega a R$ 74.640.
O sistema solar de 5 kWp em SP gera R$ 201.299 de economia no mesmo período. Sem pagar imposto de renda.
A diferença fica mais nítida quando se pensa em risco. O CDB depende da Selic, que em 2021 era 2% e hoje é 15%. A economia solar depende do sol (previsível) e da tarifa (que historicamente só sobe). Como hedge contra inflação energética, painel solar é imbatível — cada reajuste na tarifa aumenta seu retorno. Nenhum fundo de renda fixa faz isso.
Na ponta do lápis, a taxa interna de retorno do investimento solar gira em torno de 17% ao ano em São Paulo e 25% em Belém. Qualquer gestor de fundo ficaria feliz com esses números por 25 anos seguidos.
Quando o payback não compensa
Sistema pequeno demais é a armadilha mais comum. Com 3 kWp e payback de 6,3 anos, o retorno ainda é positivo — mas R$ 15 mil aplicados a 10% ao ano rendem R$ 125 mil em 25 anos, contra R$ 120 mil do solar. A diferença é tão pequena que depende de qual premissa de reajuste tarifário você acredita.
Cidades do Sul com tarifa abaixo de R$ 0,55/kWh e irradiação inferior a 4,5 HSP jogam o payback pra 7+ anos. Florianópolis (payback 6,9 anos, ROI 624%) e Curitiba (6,5 anos, ROI 678%) ainda são investimentos positivos, mas o custo de oportunidade do capital fica apertado.
E tem o cenário que ninguém quer ouvir: quem planeja se mudar nos próximos 5 anos provavelmente não vai recuperar o investimento antes de sair. Os painéis ficam no imóvel. Na venda, raros compradores pagam o valor integral de um sistema usado. Se esse é o seu caso, a conta precisa ser feita de forma mais criteriosa. Entenda os cenários completos neste guia sobre quando vale a pena instalar solar.
Perguntas frequentes
O payback muda se eu financiar o sistema? Muda a dinâmica do fluxo de caixa, mas não o retorno total. Se a parcela do financiamento for menor que a economia na conta de luz (possível com Banco BV a 1,17% a.m. em 96 meses), você começa no positivo desde o primeiro mês. O payback do investimento total fica o mesmo — o que muda é quando você para de pagar parcela e a economia vira 100% sua.
A degradação dos painéis invalida o cálculo? Não. As simulações já incluem 3% de perda no primeiro ano (LID) e 0,5% ao ano depois. Em 25 anos, os painéis ainda geram 87% da capacidade original. Fabricantes como Jinko e Canadian Solar garantem 80-86% de performance no ano 25, com garantia formal.
Se o Fio B chegar a 90%, o investimento ainda compensa? Nos cenários simulados, o Fio B a 90% (a partir de 2029) já está embutido. Mesmo assim, o payback não passa de 6,3 anos em nenhum cenário acima de 3 kWp em São Paulo. O motivo: o reajuste tarifário de 7% ao ano compensa o aumento do Fio B. A economia no ano 10 é maior que no ano 1, independente do percentual de Fio B.
E se a tarifa não subir 7% ao ano? Se subir 4%, o payback de 5 kWp em SP vai de 5,1 pra 6,2 anos. Se subir 10%, cai pra 4,3 anos. A variável existe, mas o piso (4% de reajuste) ainda entrega payback abaixo de 7 anos em SP. Nos últimos 10 anos, o reajuste médio ficou acima de 6% — incluindo anos com bandeira verde (ANEEL).
Preciso trocar o inversor durante os 25 anos? Em geral, sim. Inversores de string duram 10 a 15 anos com garantia de 10. A troca custa em torno de 20% do valor do sistema (R$ 3.900 num sistema de R$ 19.500). Nos cálculos de ROI, a manutenção de 1% ao ano (R$ 195/ano) cobre essa e outras despesas diluídas no tempo.