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Energia Solar Explicada
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Bateria solar residencial em 2026: custos reais por marca, dimensionamento prático e os 3 cenários onde já compensa instalar

Preços de baterias solares LFP de R$ 5 mil a R$ 15 mil, comparação por marca (BYD, Pylontech, Deye), dimensionamento prático e os 3 cenários onde compensa.

ES

Equipe Editorial

Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe

Bateria de lítio LFP instalada em parede de garagem residencial brasileira ao lado de quadro elétrico e inversor híbrido
Preço do lítio caiu 60% desde 2022, mas bateria residencial ainda não se paga só pela economia na conta

Bateria de lítio LFP de 10 kWh + inversor híbrido + instalação = R$ 15 mil a R$ 25 mil a mais no sistema solar. Economia extra com Fio B em 2026? Uns R$ 400 por ano. Na conta seca, são 37 a 62 anos pra recuperar o investimento só com a economia. Não fecha. Mas essa é a conta errada — porque bateria residencial não se justifica pela economia mensal. Ela se justifica por backup em apagão, por arbitragem na tarifa branca e, pra quem não tem rede elétrica, por ser a única alternativa ao gerador diesel. São três cenários bem diferentes, com contas bem diferentes.

Vamos abrir cada um com números de fevereiro de 2026.

Quanto custa uma bateria solar residencial em 2026

O preço de uma bateria solar residencial no Brasil depende da capacidade (kWh), da tecnologia (lítio LFP ou chumbo-ácido) e da marca. O cenário de preços mudou bastante nos últimos dois anos: no mercado internacional, o custo de sistemas de armazenamento estacionário caiu pra US$ 70/kWh em 2025 — 45% menos que em 2024 (BloombergNEF, dezembro/2025). No Brasil, a queda chegou mais devagar. Pagamos entre R$ 1.000 e R$ 1.500 por kWh armazenado em baterias LFP, contra US$ 70 (cerca de R$ 420) lá fora. A diferença é imposto de importação, frete e margem do distribuidor.

Na prática, uma bateria residencial de 5 kWh sai entre R$ 5.000 e R$ 8.000. Uma de 10 kWh fica na faixa de R$ 9.000 a R$ 15.000. Esses valores são só a bateria — sem inversor híbrido e sem mão de obra.

As marcas mais vendidas no mercado brasileiro pra uso residencial são quatro: BYD (Battery Box e Energy Pod), Pylontech (US-series e Force-series), Deye (SE-G) e Growatt (ARK). Todas usam química LFP, todas têm garantia de 10 anos e todas trabalham com inversores híbridos das respectivas marcas ou de terceiros.

O sistema completo — bateria + inversor híbrido + instalação e configuração — adiciona entre R$ 15 mil e R$ 25 mil ao custo de um sistema on-grid convencional. Pra ter referência: um sistema on-grid de 5 kWp custa entre R$ 17 mil e R$ 22 mil. Adicionar bateria de 10 kWh com inversor híbrido leva o investimento total pra R$ 32 mil a R$ 47 mil. É quase o dobro.

LFP vs chumbo-ácido: a conta que encerra a discussão

Bateria de chumbo-ácido custa menos na compra. Um banco de 10 kWh em chumbo-ácido sai por R$ 4.000 a R$ 7.000 — metade do preço do lítio LFP. Pra quem olha só o preço da etiqueta, parece vantagem. Não é.

A diferença está nos ciclos. Uma LFP aguenta 6.000 a 8.000 ciclos de carga e descarga com DoD de 90% (NeoSolar, 2025). Traduzindo: 15 a 20 anos ciclando todo santo dia. O chumbo-ácido? De 800 a 1.500 ciclos com DoD de 50% — porque descarregar chumbo-ácido além de 50% mata a bateria prematuramente. Na prática, dura 3 a 5 anos antes de perder capacidade a ponto de precisar trocar.

Botando na conta: o custo por ciclo de uma bateria LFP de 10 kWh a R$ 12.000 fica em R$ 0,15 a R$ 0,20 por kWh por ciclo. O chumbo-ácido de 10 kWh a R$ 5.500 (capacidade nominal, lembrando que a capacidade útil é só metade disso) fica em R$ 0,37 a R$ 0,69 por kWh por ciclo. O lítio é 2 a 3 vezes mais barato no longo prazo. Em 20 anos, quem escolheu chumbo-ácido vai trocar a bateria 4 a 6 vezes. Quem escolheu LFP troca zero.

Comparação de custo total em 20 anos: bateria LFP de R$ 12.000 com 1 compra vs chumbo-ácido de R$ 5.500 com 5 trocas totalizando R$ 27.500
Em 20 anos, chumbo-ácido custa 2,3x mais que lítio LFP apesar do preço inicial menor (dados de fev/2026)

Além do custo, tem a eficiência: LFP converte 95% da energia armazenada de volta (round-trip efficiency). Chumbo-ácido fica em 75%. Isso significa que a cada 10 kWh que você carrega, o chumbo-ácido devolve 7,5 kWh e desperdiça 2,5 kWh em calor. O LFP devolve 9,5 kWh. Em um ano de uso diário, a diferença acumulada passa de 700 kWh — o equivalente a dois meses de consumo de uma casa média.

A única situação em que chumbo-ácido ainda faz sentido é sistema off-grid muito pequeno (sítio com consumo de 2-3 kWh/dia, iluminação básica e geladeira) onde o orçamento total do sistema precisa ficar abaixo de R$ 15 mil. Fora isso, LFP sem pensar.

Dimensionamento: quanta bateria sua casa precisa

A regra prática: uma casa que consome 400 kWh/mês gasta cerca de 13 kWh por dia. Metade disso — uns 6 a 7 kWh — é consumo noturno (das 18h às 7h: geladeira, iluminação, TV, carregadores, ar-condicionado). Uma bateria de 5 kWh cobre o essencial noturno sem ar-condicionado. Uma de 10 kWh cobre tudo, incluindo ar-condicionado por 4 a 5 horas.

O cálculo mais preciso considera a profundidade de descarga (DoD). Baterias LFP trabalham com DoD de 90%, ou seja, uma bateria de 10 kWh tem 9 kWh de capacidade útil. A fórmula:

Capacidade da bateria (kWh) = consumo noturno desejado / DoD / eficiência do inversor

Pra uma casa que quer cobrir 7 kWh de consumo noturno: 7 / 0,90 / 0,97 = 8,0 kWh de capacidade nominal. Uma bateria de 10 kWh resolve com folga.

Pra quem quer bateria como backup em apagão (não como uso diário), o dimensionamento muda. A pergunta passa a ser: quantas horas de autonomia eu preciso? Uma bateria de 5 kWh segura geladeira + iluminação + Wi-Fi por 8 a 12 horas. Uma de 10 kWh estica isso pra 16 a 24 horas — ou segura cargas maiores (microondas, bomba d’água) por 6 a 8 horas.

Use a calculadora de dimensionamento pra estimar a potência do sistema e depois dimensione a bateria pelo consumo noturno.

Três cenários onde bateria residencial já compensa

Nem toda bateria é investimento financeiro. Em dois dos três cenários abaixo, a justificativa é funcional, não econômica.

Cenário 1: tarifa branca e arbitragem de preço

A ANEEL está empurrando a tarifa horária (tarifa branca) pra frente. Em novembro de 2025, abriu consulta pública pra torná-la automática pra consumidores acima de 1.000 kWh/mês a partir de 2026 (ANEEL, Consulta Pública 46/2025). Na tarifa branca, o kWh no horário de ponta (17h30-20h30 na Enel SP) custa até 2x mais que fora de ponta. Uma casa com bateria carrega de dia (quando a tarifa é baixa e os painéis geram) e descarrega no horário de ponta (quando a tarifa é cara).

A economia depende da diferença entre ponta e fora de ponta na sua distribuidora. Na Enel SP, essa diferença gira em torno de R$ 0,40 a R$ 0,55 por kWh. Uma bateria de 5 kWh ciclando 5 kWh por dia útil (~22 dias/mês) economiza R$ 44 a R$ 60 por mês. São R$ 530 a R$ 720 por ano. Uma bateria de 5 kWh LFP custa R$ 5.000 a R$ 8.000. Payback da bateria (só pela arbitragem): 7 a 15 anos. Dentro da vida útil da LFP, mas não é retorno rápido.

Quando compensa de verdade: se a diferença ponta/fora ponta na sua distribuidora passa de R$ 0,50/kWh E você já tem inversor híbrido (o custo incremental é só a bateria). Aí o payback cai pra 5 a 8 anos.

Cenário 2: backup contra blackout

Em outubro de 2024, uma tempestade em São Paulo deixou 1,2 milhão de unidades consumidoras sem energia (Enel SP). 42% dos afetados ficaram mais de 24 horas no escuro (Datafolha, 2024). Quem tinha sistema on-grid ficou sem energia junto — porque o inversor on-grid desliga quando a rede cai (proteção anti-ilhamento obrigatória pela ANEEL).

Quem tinha sistema híbrido com bateria? Continuou com geladeira funcionando, celular carregando e luzes acesas. Uma bateria de 10 kWh segura as cargas essenciais de uma casa por 16 a 24 horas. Se os painéis gerarem no dia seguinte (o que depende do clima pós-tempestade), a bateria recarrega e a autonomia se estende.

Esse cenário não tem payback financeiro calculável. É seguro. Quanto vale pra você não perder R$ 800 em comida congelada? Ou não ficar 3 dias sem trabalhar num home office? Ou manter um equipamento médico ligado? A conta é pessoal. Quem mora em região com rede instável — partes de São Paulo, interior do Pará, sul de Minas — já sabe a resposta.

Cenário 3: off-grid onde a rede não chega

Se o ramal da concessionária custa R$ 50 mil a R$ 100 mil por quilômetro de extensão (valor típico em área rural), a bateria não é opção — é necessidade. Um sistema off-grid de 3 kWp com banco de baterias LFP de 10 kWh sai entre R$ 30 mil e R$ 45 mil. Parece caro, mas a alternativa é gerador diesel a R$ 4 por litro de óleo, com manutenção cara e barulho constante. A gente detalhou as três topologias no guia sobre on-grid vs off-grid vs híbrido.

Três cenários de uso de bateria solar: tarifa branca com payback de 7-15 anos, backup sem payback financeiro, e off-grid como necessidade
Bateria residencial compensa por razões diferentes: economia (tarifa branca), segurança (backup) ou necessidade (off-grid)

Fio B empurra pra bateria, mas a conta ainda não fecha

O Fio B — a cobrança progressiva sobre energia injetada na rede, criada pela Lei 14.300/2022 — está em 60% em 2026 e vai a 90% em 2029. Em tese, bateria reduz o Fio B porque aumenta o autoconsumo: em vez de injetar o excedente na rede (e pagar Fio B), você armazena na bateria e consome à noite.

Com bateria de 10 kWh, o autoconsumo sobe de 30% pra 60-70% num sistema de 5 kWp. A economia com Fio B fica em torno de R$ 350 a R$ 500 por ano em São Paulo (Enel SP, tarifa de R$ 0,645/kWh, ANEEL 2025). Somando a economia com Fio B à arbitragem da tarifa branca, chega-se a R$ 900 a R$ 1.200 por ano. Uma bateria de 10 kWh a R$ 12.000 teria payback de 10 a 13 anos.

Razoável, mas longe de atrativo quando comparado ao payback de 4 a 6 anos do sistema on-grid sem bateria. A bateria alonga o retorno total do investimento em 3 a 5 anos.

A virada de chave acontece quando duas coisas convergirem: Fio B a 90% (previsto pra 2029) e preço da bateria LFP abaixo de R$ 600/kWh. A BloombergNEF projeta que o preço internacional continue caindo 3-5% ao ano. Se o Brasil zerar imposto de importação via Lei 15.269/2025 (o que ainda depende de regulamentação), a bateria de 10 kWh pode custar menos de R$ 6.000 até 2028-2029. Nesse cenário, o payback da bateria cai pra 5 a 6 anos e a equação fecha.

Quem está instalando sistema solar agora tem uma decisão estratégica: colocar inversor híbrido (R$ 1.000 a R$ 2.000 a mais que o string convencional) e adicionar bateria daqui a 2-3 anos quando o preço cair. Pagar R$ 1.500 a mais no inversor agora pra não gastar R$ 4.000 numa troca depois? Faz sentido.

Lei 15.269/2025 e o leilão de baterias: o que muda no residencial

Em novembro de 2025, o governo sancionou a Lei 15.269 — a reforma do setor elétrico que finalmente colocou baterias no mapa regulatório brasileiro. Quem já tem ou quer instalar bateria residencial precisa prestar atenção em três pontos.

Primeiro: a lei inclui sistemas de armazenamento no REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura). Na prática, isso significa isenção de PIS/Cofins, IPI e imposto de importação pra componentes de BESS (Battery Energy Storage Systems) até 2030. Até fevereiro de 2026, a ANEEL não regulamentou os detalhes. A lei abriu a porta, mas quanto você vai economizar na prática depende de como importadores e distribuidoras repassarem a isenção — e isso ninguém sabe ainda.

Segundo: o primeiro leilão de baterias do Brasil está marcado pra abril de 2026 (MME, Consulta Pública). A ANEEL vai contratar sistemas de pelo menos 30 MW com 4 horas de despacho. São projetos de grande porte (utility-scale), não residenciais. Mas o efeito colateral é positivo pra todo mundo: o leilão atrai fabricantes, cria cadeia de suprimentos local e puxa o preço pra baixo. A ABSAE estima 18 GW em projetos de baterias cadastrados, com contratação inicial de 2 GW que destravaria R$ 10 bilhões em investimentos (ABSAE, 2026).

Terceiro: a lei cria base jurídica pra que a ANEEL regule tarifa horária e resposta à demanda — dois mecanismos que valorizam quem tem bateria. Se a tarifa horária virar padrão pra grandes consumidores residenciais (acima de 1.000 kWh/mês, como proposto na Consulta Pública 46/2025), ter bateria deixa de ser opcional pra quem quer otimizar a conta.

Pra dimensionar o tamanho dessa onda: o mercado de armazenamento residencial movimentou R$ 2,2 bilhões em 2025, três vezes os R$ 700 milhões de 2024 (ABSOLAR). Triplicou em um ano. E o leilão de baterias nem aconteceu ainda.

Perguntas frequentes

Bateria solar residencial vale a pena em 2026?

Financeiramente, ainda não pra maioria das casas conectadas à rede. O payback da bateria sozinha fica entre 10 e 15 anos. Mas pra quem sofre com quedas de energia, quer arbitragem na tarifa branca ou mora sem acesso à rede, já compensa. Se você instalar sistema novo, peça orçamento com inversor híbrido — o custo extra é pequeno e prepara o sistema pra receber bateria quando o preço cair.

Qual a melhor bateria solar residencial pra comprar no Brasil?

Quatro marcas dominam o mercado residencial aqui: BYD (Battery Box, Energy Pod), Pylontech (US-series), Deye (SE-G) e Growatt (ARK). Tudo LFP, tudo com 10 anos de garantia, tudo acima de 6.000 ciclos. Na hora de escolher, a dica é simples: case a bateria com a marca do inversor. Inversor Deye? Bateria Deye. Growatt com Growatt. A integração entre os dois é mais estável e o suporte técnico fica mais fácil.

Posso adicionar bateria num sistema on-grid que já tenho?

Sim, mas depende do inversor. Alguns inversores híbridos recentes (Deye SUN-5K, Growatt SPH, GoodWe ES G2) aceitam expansão com bateria sem trocar o equipamento. Se o inversor é string convencional (sem entrada pra bateria), é preciso trocar por um híbrido — o chamado retrofit. Custo do retrofit: R$ 15 mil a R$ 25 mil, contando inversor híbrido + bateria + mão de obra. Só compensa se o backup tem valor real pra você (home office, equipamento médico, freezer cheio).

A bateria funciona durante falta de energia?

Só com inversor híbrido. Inversores on-grid comuns desligam automaticamente quando a rede cai (proteção anti-ilhamento exigida pela ANEEL). O inversor híbrido faz comutação automática pra modo bateria em menos de 10 milissegundos — tão rápido que nem pisca a luz. Sem inversor híbrido, a bateria não ajuda no apagão.

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