Quantas placas solares preciso pra minha casa: fórmula, tabela por consumo e variação por cidade em 2026
Calcule quantas placas solares você precisa: fórmula de dimensionamento, tabela de 200 a 1.000 kWh/mês com painéis de 550W, 600W e 660W. Dados CRESESB.
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Consumo mensal dividido por 30, dividido pelas horas de sol da sua cidade, dividido por 0,78. O resultado é a potência em kWp que seu sistema precisa ter. Divide pela potência do painel e você sabe quantas placas preciso. Uma casa em São Paulo com conta de 400 kWh/mês precisa de 6 painéis de 550W. Em Fortaleza, com mais sol, bastam 5. Em Porto Alegre, com menos sol, são 7. Mesma conta de luz, resultado diferente.
Essa conta parece simples, e é. O problema é que a maioria dos sites joga um número genérico sem explicar que a resposta muda conforme a cidade, a potência do painel e o tipo de ligação elétrica. Aqui vão os números completos.
A fórmula de dimensionamento em 3 passos
O cálculo que qualquer integrador sério usa pra dimensionar seu sistema tem três etapas. Cada uma depende de um dado diferente, e errar qualquer uma significa pagar por painéis demais ou de menos.
Passo 1: desconte o custo de disponibilidade. A distribuidora cobra um mínimo mensal mesmo que seu sistema gere 100% do consumo. Ligação monofásica paga 30 kWh, bifásica 50 kWh e trifásica 100 kWh (ANEEL, Resolução Normativa 1.000/2021). Esse mínimo não pode ser compensado com créditos de energia solar. Se você consome 400 kWh/mês com ligação monofásica, o sistema precisa cobrir 370 kWh, não 400. Detalhe técnico completo no glossário de custo de disponibilidade.
Passo 2: calcule a potência necessária. A fórmula é:
kWp = (consumo compensável / 30) / HSP / 0,78
O 0,78 é o performance ratio do sistema — a eficiência real depois de considerar perdas por temperatura, sujeira, cabeamento e inversor. Sistemas bem instalados ficam entre 75% e 80% (EPE, Nota Técnica DEA-SEE 009/2023). A gente usa 78% como referência conservadora.
HSP é a irradiação solar da sua cidade em horas de sol pleno por dia (CRESESB/INPE). São Paulo tem 5,0. Fortaleza, 5,9. Porto Alegre, 4,6. Essa diferença muda tudo.
Exemplo pra São Paulo: kWp = (370 / 30) / 5,0 / 0,78 = 3,16 kWp.
Passo 3: divida pela potência do painel. Um painel de 550W tem 0,55 kWp. Logo: 3.160W / 550W = 5,75 painéis. Arredonda pra cima: 6 painéis de 550W.
Se quiser pular a matemática, a calculadora de dimensionamento faz tudo isso automaticamente. Basta informar seu consumo mensal e sua cidade.
De 200 a 1.000 kWh: quantos painéis por consumo
A tabela abaixo usa HSP de 5,0 (média de São Paulo), ligação monofásica (desconto de 30 kWh) e performance ratio de 78%. São as três potências de painel mais vendidas no Brasil em 2026.
| Consumo mensal | kWp necessário | Painéis de 550W | Painéis de 600W | Painéis de 660W |
|---|---|---|---|---|
| 200 kWh | 1,46 | 3 | 3 | 3 |
| 300 kWh | 2,32 | 5 | 4 | 4 |
| 400 kWh | 3,16 | 6 | 6 | 5 |
| 500 kWh | 4,03 | 8 | 7 | 7 |
| 600 kWh | 4,88 | 9 | 9 | 8 |
| 800 kWh | 6,60 | 12 | 11 | 10 |
| 1.000 kWh | 8,32 | 16 | 14 | 13 |
Pra quem consome entre 300 e 500 kWh/mês — o perfil residencial mais comum no Brasil segundo a ANEEL —, estamos falando de 5 a 8 painéis de 550W. Num telhado padrão de cerâmica, cada painel de 550W ocupa cerca de 2,3 m². Oito painéis precisam de 18,4 m² de área livre, sem sombra. Não é muito, mas precisa ser área contínua e com boa orientação (preferencialmente voltada pro norte).
Dois pontos que a tabela não mostra e que mudam o resultado: a cidade onde você mora e o tipo de ligação elétrica. Vamos a cada um.
O sol muda tudo: SP vs Fortaleza vs Porto Alegre
A fórmula de dimensionamento depende da HSP da sua cidade. Quanto mais sol, menos painéis. Quanto menos sol, mais painéis pro mesmo consumo. A variação entre capitais brasileiras é enorme — e subestimada.
Pegamos três cidades que representam os extremos. Consumo fixo de 500 kWh/mês, ligação monofásica, painéis de 550W.
Fortaleza tem HSP de 5,9 (CRESESB). A segunda maior irradiação entre as capitais, atrás só de Natal (6,0). O kWp necessário cai pra 3,44, e bastam 7 painéis pra cobrir o consumo. O sistema de 3,85 kWp custa em torno de R$ 16 mil instalado.
São Paulo tem HSP de 5,0. O padrão que usamos na tabela. São 4,03 kWp e 8 painéis. Investimento de aproximadamente R$ 19 mil.
Porto Alegre tem HSP de 4,6 (CRESESB). Menos sol significa mais painéis: 4,38 kWp, 9 painéis. Investimento perto de R$ 20 mil. Dois painéis a mais que Fortaleza pra gerar a mesma energia — e uns R$ 4 mil a mais no orçamento.
E o impacto não para no número de painéis. Fortaleza tem tarifa de R$ 0,563/kWh (Enel Ceará, ANEEL 2025), enquanto Porto Alegre cobra R$ 0,551/kWh (CEEE Equatorial). Tarifas parecidas, mas a irradiação superior de Fortaleza faz o payback ser mais curto — algo entre 4 e 5 anos contra 6 a 7 em Porto Alegre. Detalhamos os cenários completos no guia de payback da energia solar.
Por que não cobrir 100% do consumo
Esse é o erro mais caro do dimensionamento. Quem olha a conta de luz de 500 kWh e dimensiona pra gerar 500 kWh está jogando dinheiro fora por dois motivos.
O primeiro é o custo de disponibilidade. Os 30 kWh da ligação monofásica (ou 50 da bifásica, ou 100 da trifásica) não podem ser compensados. Gerar esses kWh extras não reduz a conta em nada. Num painel de 550W em São Paulo, cada módulo gera cerca de 64 kWh/mês. Um painel inteiro desperdiçado equivale a R$ 900 a R$ 1.100 em equipamento que nunca vai se pagar.
O segundo motivo é a expiração dos créditos. Energia injetada na rede vira crédito que vale por 60 meses (Lei 14.300/2022). Sistema superdimensionado gera créditos que acumulam sem uso e expiram. Dinheiro parado — literalmente.
Na prática, o dimensionamento ideal cobre entre 90% e 100% do consumo excedente ao custo de disponibilidade. Pra uma casa monofásica com 500 kWh/mês, isso significa dimensionar pra 420-470 kWh de geração, não 500. A diferença é 1 painel a menos no telhado e R$ 4 mil a R$ 5 mil de economia no investimento inicial.
Quem tem ligação trifásica sente mais o golpe. Os 100 kWh do mínimo representam R$ 63 a R$ 94 por mês que você paga de qualquer jeito. Se o consumo não justifica trifásica, considerar a mudança pra monofásica antes de instalar solar pode economizar R$ 350 a R$ 500 por ano.
Do número de painéis ao orçamento
Saber que você precisa de 8 painéis é metade da conta. A outra metade é quanto custa colocar esses 8 painéis funcionando no telhado. Porque o painel é só 25% a 35% do investimento total — inversor, estrutura, cabeamento, projeto e mão de obra completam o resto.
Em fevereiro de 2026, o preço médio de um sistema residencial instalado fica entre R$ 3.500 e R$ 5.000 por kWp (Greener, 2025). Sistema menor sai mais caro por kWp (custo fixo diluído em menos painéis); sistema maior, mais barato. Um sistema de 4,4 kWp (8 painéis de 550W) custa entre R$ 15 mil e R$ 22 mil. Detalhamos cada componente do custo no guia de preço de placa solar.
Tem mais um fator que entra na conta em 2026: o Fio B a 60%. A Lei 14.300/2022 cobra 60% do componente de distribuição sobre a energia que você injeta na rede. Isso não muda o número de painéis que você precisa, mas muda o payback do investimento. A mordida fica em torno de R$ 40 a R$ 70 por mês pra um sistema de 5 kWp em São Paulo, dependendo do percentual de autoconsumo. O retorno do investimento, mesmo com Fio B, fica entre 4 e 6 anos na maioria das capitais. Simulamos os cenários completos no guia sobre quanto custa energia solar residencial.
Perguntas frequentes
Quantas placas solares preciso pra gerar 300 kWh? Em São Paulo (HSP 5,0), 5 painéis de 550W. Em Fortaleza, 4. Em Porto Alegre, 5. O consumo compensável é 270 kWh (300 menos 30 do custo de disponibilidade monofásico), o que dá um sistema de 2,32 kWp. Investimento estimado: R$ 10 mil a R$ 13 mil.
Quantas placas solares preciso pra gerar 500 kWh? Em São Paulo, 8 painéis de 550W (4,4 kWp). Em Fortaleza, 7 (3,85 kWp). Em Porto Alegre, 9 (4,95 kWp). Investimento de R$ 16 mil a R$ 22 mil dependendo da cidade e do integrador.
Painel de 660W precisa de menos unidades? Precisa, mas a diferença é pequena em sistemas residenciais. Pra 500 kWh/mês em SP, são 7 painéis de 660W contra 8 de 550W. A economia de 1 painel no telhado pode compensar se a área disponível é limitada. Em preço, módulos de 660W custam mais por unidade (R$ 1.100-1.500 contra R$ 750-1.100 do 550W), mas menos por watt.
Posso instalar menos painéis e complementar com a rede? Pode, e muitas vezes faz sentido. Sistema dimensionado pra 70-80% do consumo é mais barato e o payback pode ser mais rápido, porque cada painel adicional gera proporcionalmente menos economia (os primeiros kWh compensados valem mais). O que sobra você paga na tarifa normal.
Como sei qual a HSP da minha cidade? A fonte oficial é o CRESESB/INPE, que disponibiliza a ferramenta SunData com dados de irradiação pra qualquer ponto do Brasil. As capitais variam de 4,3 HSP (Florianópolis) a 6,0 HSP (Natal). A calculadora de dimensionamento já puxa a HSP automaticamente pela sua localização.